Década de 70

Linha do tempo

 

Vidas Secas, de Nelson Pereira dos Santos, é o marco inicial do cinema novo, movimento que tem como proposta o filme de autor, feito a baixo custo, preocupado com a realidade social e enraizado na cultura brasileira. É a versão brasileira de estéticas nascidas após a II Guerra Mundial, entre elas o neo-realismo italiano e a nouvelle vague francesa. As câmeras portáteis, surgidas na época, permitem filmar com mais facilidade. Destacam-se as produções Deus e o Diabo na Terra do Sol (1963), de Glauber Rocha; Os Fuzis (1963), de Ruy Guerra; A Grande Cidade (1965), de Carlos (Cacá) Diegues; e Macunaíma (1969), de Joaquim Pedro de Andrade.

1964 – José Mojica Marins roda À Meia-Noite Levarei Sua Alma. Nesta fita, o cineasta cria o coveiro Zé do Caixão, personagem bizarro com unhas longas, fraque e cartola interpretado por ele próprio. Sua extensa obra tem quase 150 títulos, entre eles Esta Noite Encarnarei no Teu Cadáver e O Despertar da Besta. A partir dos anos 90 seus filmes são lançados em vídeo nos Estados Unidos.

1967 – Ozualdo Candeias filma A Margem, obra considerada inspiradora do cinema marginal.

1968 – O cineasta Rogério Sganzerla dirige O Bandido da Luz Vermelha, fita ligada à estética chamada de marginal ou underground. São filmes experimentais que retratam a situação social do país de maneira debochada. Outro líder do movimento é Júlio Bressane, de Matou a Família e Foi ao Cinema (1969).

1969 – O governo funda a Embrafilme, que a princípio tem a função de distribuir filmes brasileiros e, logo depois, passa também a financiar o cinema nacional.

1976 – É criado o Conselho Nacional de Cinema (Concine) para normatizar e fiscalizar o mercado, em mais uma tentativa de industrialização da produção.

Com Os Trapalhões no Planeta dos Macacos, tem início a carreira de sucesso dos filmes de Os Trapalhões, quarteto fundado no ano anterior. Seu líder, Renato Aragão, o Didi, protagonizara vários filmes ao lado de Dedé Santana entre 1965 e 1976. Rodada com diferentes diretores, sua filmografia contabiliza 39 obras, que foram vistas por cerca de 100 milhões de pessoas. É o conjunto de maior bilheteria do cinema brasileiro.

Dona Flor e Seus Dois Maridos, de Bruno Barreto, é a produção brasileira de maior bilheteria em todos os tempos, com 12 milhões de espectadores.

1979 – Com o fim da censura, no final dos anos 70, a política e a realidade nacional voltam a ser temas de filmes como em Bye Bye Brasil, de Cacá Diegues. Na mesma linha, dois anos mais tarde, Roberto Faria realiza Pra Frente, Brasil.

Década de 80 – Apesar da retração de público, 70 cineastas estréiam em longa-metragem no decorrer de quase toda a década. Destacam-se Djalma Limongi, de Asa Branca (1982); André Klotzel, de A Marvada Carne (1985); e Sérgio Rezende, de O Homem da Capa Preta (1985). Depois de produzir, nos anos 60 e 70, filmes sobre o cangaço (Corisco, o Diabo Loiro, de Carlos Coimbra), de faroeste (Panca de Valente, de Luís Sérgio Person), pornochanchadas e comédias eróticas, a chamada Boca do Lixo, em São Paulo, parte para o sexo explícito na década de 80. Com o declínio desse tipo de fita nos cinemas, a produção da Boca desaparece.

1980 – Revolução de 30, de Sylvio Back, é um dos filmes da pequena, porém expressiva, produção de documentários da década de 80. São importantes também Cabra Marcado para Morrer (1984), de Eduardo Coutinho, e Jango (1984), de Sílvio Tendler.

1981 – Eles Não Usam Black-Tie, de Leon Hirszman, é o vencedor do Leão de Ouro em Veneza. Também ganham prestígio no mercado internacional fitas como Memórias do Cárcere (1983), de Nelson Pixote, a Lei do Mais Fraco (1980) e O Beijo da Mulher-Aranha (1984), de Hector Babenco, Parahyba Mulher Macho (1982), de Tizuka Yamazaki, e Eu Sei Que Vou Te Amar (1984), de Arnaldo Jabor.

1984 – Depois de rodar a comédia erótica As Taras de Todos Nós na chamada Boca do Lixo, onde funcionava a produção do cinema popular paulistano, Guilherme de Almeida Prado assina a direção de A Dama do Cine Shangai. Seu trabalho mais recente é A Hora Mágica.

1985 – A cineasta Susana Amaral dirige seu único longa, A Hora da Estrela, baseado no conto homônimo de Clarice Lispector. A protagonista Marcélia Cartaxo ganha o prêmio de melhor atriz no Festival de Berlim.

1990 – A Embrafilme é praticamente extinta durante o governo Collor, e o cinema passa por um período crítico sem financiamento oficial.

 

Bibliografia

Almanaque Abril 2000

Ed. Abril

2000


 

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